RESENHA - Economia, sociedade e tecnologia:
O texto se mostra contrario à concepção de inclusão digital surgida no século passado, na qual a facilitação de acesso às novas tecnologias, seriam suficientes para inserção das pessoas no era digital, defendendo a idéia de que inclusão digital vai alem e deve ser pensada a partir da inclusão social . Para fundamentar suas idéias Warschauer divide o texto em três partes, nas quais mostra uma evolução do uso das TIC’s nas empresas, suas conseqüências na sociedade e as mudanças que as novas tecnologias foram capazes de promover na comunicação.
No primeiro momento do texto, o autor faz um levantamento sobre a apropriação das TIC’s pelas empresas, onde relata o que chama de informacionalismo, que segundo o autor seria o novo estágio do capitalismo global, no qual as tecnologias da informação e comunicação são cada vez mais imprescindíveis, de forma que o próprio desenvolvimento econômico está atrelado a aplicação nestas novas tecnologias. São elas também responsáveis por grandes transformações nos modos de produção industrial, antes de massa e verticalmente organizada, para uma produção flexível, sob encomenda e com profissionais multiespecializados
“ Enquanto a empresa típica do século XX, foi a fábrica de automóveis, com trabalhadores enfileirados em uma linha de montagem, executando uma tarefa única, sobre ordens superiores, a empresa paradigmática do séc XXI, é a empresa de engenharia de software, com equipes de empregados multiespecializados, agrupando-se e reagrupando – se para assumir tarefas complexas ( ... ) as relações entre empregador e empregado e as relações entre empregados, assumiram novas formas ” pg 34.
Essas mudanças favorecem o surgimento de empresas que rompem as barreiras nacionais, denominadas de transnacionais, que orientam os investimentos para diversas partes do mundo.
Em seguida, o texto relata a estratificação econômica mundial, constatando através de dados do Banco Mundial e Organização das Nações Unidas, um aumento significativo na desigualdade entre os paises. Traz uma avaliação sobre desigualdade entre os paises ricos e pobres, no entanto, o mais importante neste segmento do texto é a diferença entre pobreza nos paises ricos e pobreza nos paises pobres e como ela se configurou após a introdução das TIC’s. Nos paises ricos, a aumento da desigualdade é conseqüência da reestruturação das economias pós – industriais, devido ao desaparecimento de atividades que antes eram bem remuneradas no setor industrial. Entretanto, nos paises pobres, a pobreza manteve- se basicamente estável, ou seja, nenhuma conseqüência positiva do surgimento das TIC’s, visto que muitos paises ainda nem as receberam. E em alguns paises pobres como Índia e China que já fazem uso destas, os dividendos gerados ficam concentrados em mãos de uma pequena minoria, enquanto, a maioria da população vive na linha abaixo da pobreza. Ou seja, existe aí uma diferença do que é pobreza em paises ricos e o que é pobreza em paises pobres. Ou seja, este mal sabe da existência desta revolução mundial, da transformação da sociedade em “sociedade da informação”, enquanto que aquele, as devidas transformações já ocorreram e o que houve foi um não acompanhamento por parte de alguns trabalhadores ao novo ritmo imposto.
Mark Warschauer, traz neste ultimo momento o que é o foco principal do texto , a exclusão digital como empecilho para a inclusão social. Tratou no texto a esfera econômica como fator excludente, a partir de agora mostrará que não é o único e sobretudo, a partir da demonstração de quatro das principais vantagens do uso das novas tecnologias, mostrará como o uso destas se faz condição necessária para a inserção do individuo neste novo mundo e a proporção que as mídias on-line atraem mais e mais informações sobre as diversas esferas da vida educação, política, cultura, entretenimento e relações pessoais, torna-se mais difícil para o cidadão que não dispõe destes conhecimentos o exercício da plena cidadania.
As informações trazidas pelo autor são de suma importância, embora não sejam as mais inovadoras, validas por permitir uma discussão sobre a importância não do acesso ao computador, mas sobretudo, pela gama de possibilidades que este pode proporcionar. Abrir pauta, para pensarmos no computador, não como o protagonista desta nova revolução, mas apenas como uma ferramenta que facilita e potencializa o uso e conhecimento do grande numero de informações que estão disponíveis, sendo esta – a informação – a grande protagonista de toda esta transformação. Assim, governos, organizações, instituições, devem se preocupar não em criar programas de fácil acesso a estas ferramentas, mas antes em criar projetos que possam esclarecer as pessoas as diversas possibilidades de uso do aparelho.
