Resenha - "Modelos de acesso: equipamentos, conectividade e letramento"
"Modelos de acesso: equipamentos, conectividade e letramento", de Mark Warschauer - capítulo 2 do livro "Tecnologia e inclusão digital: a exclusão digital em debate"
Resenha por Maruzia Dultra
A partir da idéia de que o acesso à tecnologia da informação e da comunicação (TIC) é fundamental para que haja inclusão digital, Mark Warschauer põe em discussão as possibilidades e limitações da cada nível de acessibilidade.
Primeiramente, aborda o que considera os 2 modelos básicos de acesso: aquele advindo da simples posse do equipamento e o outro pela conexão desse equipamento com as redes tecnológicas (elétrica, telefônica, de internet, etc). Ambos os modelos são apresentados como necessários para o acesso à TIC, mas não suficientes. Algumas diferenças entre eles está na forma de aquisição e de propagação na sociedade: enquanto o primeiro requer um pagamento único e teve rápida difusão, o segundo demanda taxas periódicas e apresenta uma distribuição mais lenta por necessitar de uma infra-estrutura para instalação.
Mas, segundo o autor, "o que é mais importante a respeito da TIC não é tanto a disponibilidade do equipamento de informática ou da rede de internet, mas sim a capacidade pessoal do usuário de fazer 'uso' desse equipamento e dessa rede, envolvendo-se em 'práticas sociais significativas'". Partindo da análise da alfabetização do mundo 'letrado' para chegar à alfabetização digital (chamada no texto de "letramento"), Warschauer desenvolve a idéia da importância de uma habilidade individual a fim de interação social. Da analogia entre os 2 tipos de aprendizagem, o autor aponta possíveis categorias de recursos demandados por ambos, sendo eles: físico, digital, humano e social.
Os recursos físicos são os aparatos técnicos em si, a serem apropriados pelos recursos humanos através da capacidade destes em lidar com os conteúdos acessados (recursos digitais). Essa 'capacidade' diz respeito às habilidades cognitivas de processamento e às atitudes de motivação, confiança e disposição diante do ato. A última categoria, os recursos sociais, o autor destaca como ponto crucial na questão do acesso - que abarca não só os níveis da cognição e da cultura, mas também do poder e da política. Dessa forma, afirma: "o letramento não é transmitido do alto, mas apoderado a partir de baixo, por meio da mobilização social e da ação coletiva".
Nesse sentido, Warschauer aponta para o debate trazido por Paulo Freire com a 'Pedagogia da praxis', na qual o conteúdo utilizado no processo de aprendizagem deve corresponder ao contexto social dos indivíduos envolvidos. Este parece ser o caminho mais eficaz para a construção de políticas de acesso condizentes com os níveis específicos de realidade, e que dirijam os recursos acima referidos, amplificando-os e promovendo, assim, a inclusão social por meio do uso efetivo da TIC.

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