RESENHA:
Tecnologia e Inclusão Social: a exclusão digital em debate
Capítulo 5: Recursos Humanos: Letramento e educação
MARK WARSCHAUER
A educação afeta a interação on-line em dois níveis: No primeiro vê-se a educação em um sentido maior como acelerador do desenvolvimento econômico. “A educação em massa correlaciona-se diretamente com os níveis elevados de acesso à Internet pela sociedade.” Esta relação seria uma “mão dupla” pois a educação não é apenas causa do desenvolvimento econômico, mas também conseqüência deste.
No segundo nível, as habilidades de leitura e escrita mostram-se essenciais para a capacidade de utilização da Internet.
Tecnologia e Letramento.
As transformações sociais, econômicas e tecnológicas estariam provocando mudanças nas práticas do letramento. Surgem novas práticas baseadas na informática e na Internet. O autor cita quatro:
1. Letramento por meio do computador.
Este termo, antes referido as formas mais básicas de operação com computador, teria sido bastante criticado por esta simplicidade, porém cita o autor um exemplo de como este letramento pode influir num melhor desempenho e eficiência em uma tarefa de diferente escrita, comparando o célebre autor Gabriel Garcia Márquez antes adepto da máquina de escrever e hoje utilizando o computador que lhe garantiu maior produtividade.
2. Letramento informacional.
Este letramento envolve tanto o conhecimento específico do uso do computador como habilidades de letramento crítico. Esse letramento crítico se torna necessário na medida em que no universo on-line existe a grande quantidade de informações incorretas, nocivas, confusas e inúteis que necessitam serem filtradas pelo usuário.
3. Letramento Multimídia.
Pelo fato de ser um letramento mais fácil e acessível, a multimídia adquire uma grande importância na informática. Diferente da leitura e escrita, estes muito mais difíceis, menos acessíveis e discriminatórios (limitam-se às línguas de maior influência), a multimídia torna-se um letramento de maior importância nesta democratização do acesso. Porém a inacessibilidade ao conteúdo multimídia devido à estratificação social dos sistemas educacionais e a indústria da tecnologia e informação pode causar o oposto do citado acima, causando maior desigualdade nesta questão.
4. Letramento comunicacional mediado por computador.
Este se refere às habilidades interpretativas e de escrita necessárias para que as pessoas se comuniquem efetivamente mediante a mídia on-line. Seria incluir a pragmática da argumentação e da persuasão eficaz em diversos tipos de mídia da Internet. A habilidade mais básica se aprenderia em uma ou duas horas numa sala de bate-papo virtual, porém isto não quer dizer que seria o suficiente para saber escrever uma mensagem eficaz de correio eletrônico para uma empresa, uma instituição acadêmica ou um representante político.
A vida social da educação.
Seriam duas escolas de pensamento no debate educacional: A primeira considera a educação como processo de transmissão, a aquisição de fatos, informações e conhecimento mediante um regime de aula expositiva e tutela. Seria uma abordagem em desacordo com os imperativos da era da informação. A segunda, vê a educação como um processo construtivista, um processo mental interno, baseado na descoberta individual dos fenômenos externos. Estes seriam apaixonados da tecnologia educacional.
Para o autor, nenhuma das escolas consegue avaliar plenamente os fatores sociais que estão no centro do aprendizado e da educação.
Em seguida, o autor falará das comunidades de prática, onde se daria quase todo o aprendizado humano. Seriam redes de pessoas dedicadas a atividades similares. Nessas comunidades o aprendizado ocorre por meio de aprendizagem (uma criança aprendendo a falar ou um recém formado médico fazendo residência.). As comunidades de prática são de grande importância para as novas tecnologias. É uma maneira mais fácil de aprender um programa de computador em um escritório com outros em atividade similar do que em casa sozinho.
TIC na educação.
“Os conceitos de aprendizado localizado e pedagogia crítica são inestimáveis para o entendimento do relacionamento da TIC com a educação”
Aprendizado localizado seria o auxílio aos estudantes para tornarem-se parte integrante das comunidades de aprendizado criando situações relevantes, proporcionando oportunidades para os estudantes.
A pedagogia crítica tem muito em comum com o aprendizado localizado porém enfatiza o papel dos alunos na definição dos seus próprios problemas, com base em necessidades e questões sociais enfrentados por suas família e comunidades.
O autor afirma ser dada uma ênfase exagerada na informática por si. Focando apenas nas noções básicas em vez de buscar a interatividade que se pode com novas comunidades e cultura e no enfrentamento dos problemas significativos. Ele cita três programas de ensino que seguem este segundo caminho:
1. Educação por via da Informática.
Seria uma das maneiras imediatas de promover o acesso a TIC na educação. Centros comunitários de tecnologia estabeleceram programas comunitários para capacitar pessoas socialmente marginalizadas a aprender a usar computadores. Estes centros existem tanto em países desenvolvidos quanto nos em desenvolvimento. Dois exemplos são o Comitê para Democratização da Informática com sede no Brasil que foi estabelecido em parceria com o setor privado e o Playng2Win fundado em Nova York. Ambos projetos utilizam a informática não só como fim mas como meio de se realizar projetos voltados para a área social ou questões das próprias comunidades.
2. Educação reforçada por computador.
Na educação reforçada por computador, um currículo mais amplo já está estabelecido, baseado em cursos como matemática, ciências, estudos sociais entre outros. O objetivo deste programa é utilizar eficazmente a tecnologia para reforçar as finalidades educacionais mais amplas. Os principais locais associados à educação reforçada são as escolas públicas e os cursos superiores, assim sendo, este programa acaba entrando numa arena crítica de combate a marginalização em relação à sociedade da informação. As escolas públicas podem proporcionar um meio importante de inclusão e igualdade social.
Porém, nas escolas norte-americanas, onde o uso de computadores é o mais extensivo os resultados não são animadores. A evidência sugere que a utilização de computadores na educação está tendendo a piorar em vez de ajudar a superar a desigualdade da sociedade. Um dos possíveis fatores para esse fato negativo possa a ser a diferença no uso dos computadores em relação à faixa social. Estudos comprovam que em escolas mais pobres, com estudantes de níveis sociais inferiores (quase totalizados por estudantes negros e de origens hispânicas), o uso do computador refere-se à correção de trabalhos (em alguns casos servia de auxílio para ajudar a preparar a mão-de-obra para o mercado de trabalho) enquanto escolas “ricas” (maioria branca e de origem asiática) utilizariam estes computadores para aplicações e simulações que estimulam o pensamento de nível superior. Algumas escolas de comunidade de baixa renda fogem a regra e acabam por utilizar a informática para fins acadêmicos de enorme eficácia nas nessas comunidades. O autor cita dois exemplos: Projeto Fresa, onde estudantes de uma comunidade rural de maioria hispânica utilizam a TIC para promover as habilidades acadêmicas e a consciência crítica, e a Academia de Tecnologia no Centro de Aprendizado Foshay, localizado numa zona pobre de Los Angeles onde em uma academia de tecnologia é enfocado assuntos como programação e criação multimídia abordando diversos temas sociais.

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