Thursday, November 16, 2006

Internet e Sociedade em rede - Manuel Castells

Introdução

Manuel Castells inicia seu texto afirmando que a Internet é uma realidade do presente, não é algo a acontecer, e apesar de ser algo recente (criada por volta de 1969- difusão 1994). Já interage com toda a sociedade.

A internet é uma rede de computadores conectados, mais que uma tecnologia, é um meio de comunicação, de interação e de organização social.

Logo quando surgiu, acreditava-se que seria algo para as elites, porém pesquisas atuais revelam que seu alcance é bem maior. Vivemos em uma Sociedade em Rede, na qual todos os núcleos consolidados de direção econômica, política e cultural estão integrados através da internet Na essência, isso significa que a Internet será ainda o meio de comunicação e de relação essencial sobre o qual se baseia a nova forma de sociedade.

O autor resumirá em 10 pontos o que é a internet, porém deixa claro que sua análise será feita a partir de informações empíricas, visto que havia poucos estudos sobre o tema.

1.Lições da História da Internet

Castells quebra alguns mitos sobre a internet. O primeiro deles é o de que a Internet era uma tecnologia de uso militar, na realidade ela se desenvolveu a partir da interação entre ciência, pesquisa universitária, programa de pesquisa militar nos EUA e a contracultura libertária, todas interagindo ao mesmo tempo. Mas foi através da Cultura Empresarial que a internet se difundiu por toda a sociedade. O segundo ponto abordado explicita como a internet se desenvolveu espontaneamente, ela não foi criada como projeto de lucro empresarial, visando ter rentabilidade.

Terceira e quarta lição: desenvolve-se a partir de uma arquitetura informática aberta e livre, e os usuários foram e são de suma importância para o seu desenvolvimento, pois através de seus feedbacks aos produtores da tecnologia, que a internet foi se desenvolvendo.

O quinto ponto tratado é sobre sua origem, não se trata de uma criação americana, a internet desenvolveu-se a partir de uma rede internacional de cientistas e técnicos que trabalhavam em cooperação em todo globo, mas a tecnologia chave foi desenvolvida paralelamente nos EUA e na Europa. Por outro lado, o desenvolvimento da Internet com base nas novas redes libertárias é criação de grupos libertários - não do departamento de defesa.

Sexto ponrto: a internet é um regime de autogestão. O governo da Internet, é uma sociedade de caráter privado, o ICANN, que é responsável por distribuir domínios, protocolos etc. A última lição trazida pelo autor é sobre os códigos que governam a Internet, que sempre foram e continuam sendo aberto.

A conclusão feita pelo autor sobre a história da Internet servem para indicar até que ponto trata de um novo tipo de tecnologia em sua forma de organização.Trata-se de um instrumento de comunicação livre – criado de forma livre, por pessoas, setores, governos etc.

2.A Geografia da Internet

A geografia da internet pode ser definida em dois tipos: Usuários e Provedores de Conteúdo. O primeiro é caracterizados pelo alto nível de concentração em países desenvolvidos, alcançando uma média de 25 - 30% da população.Há de fato uma grande diferença do foco de penetração da internet em todo o mundo, entretanto as taxas de crescimento são altas (exceto África Subsaariana). Entretanto, esta geografia diferencial é negativa por provocar disparidades de usos, os países onde a internet demorou a ser incorporada, tem menos a dizer sobre o conteúdo, estrutura e a dinâmica da Internet.

Já os provedores estão concentrados em grandes áreas metropolitanas dos principais países do mundo, pois é aonde se concentram os profissionais mais bem capacitados e um maior uso de novas tecnologias.

Outro ponto importante sobre a geografia é a relação entre desenvolvimento da Internet e desenvolvimento urbano. Ambos estão profundamente relacionados, ao contrário do que se imaginava de que a tecnologia faria com que as pessoas se isolassem nos campos. Atualmente vivemos a maior taxa de urbanização da história.O que a Internet permitiu foi trabalhar em vários lugares; enquanto viajamos ou a partir de nossas próprias casas. É o conceito de “escritório móvel”, que permite a circulação do individuo por diferentes espaços físicos.

3. A Divisória Digital

O terceiro aspecto abordado pelo autor, é sobra a nova forma de classificar o mundo, a Digital Devide , que divide o globo entre os que tem e os que não tem acesso a Internet.

Territórios não conectados perdem competitividade econômica internacional, o que gera bolsões de pobreza, o que, por conseguinte os tornam incapazes de se agregar ao novo modelo de desenvolvimento. Apesar disso, há um aumento nas taxas de conectividade como um todo.

Um segundo elemento importante sobre divisão social, é sobre as diferenças de acesso, não só a forma como se acessa (velocidade), mas principalmente a capacidade educativa e cultural de utilizar a Internet. É importante saber onde está a informação, como buscá-la e transformá-la em conhecimento específico, ou seja a capacidade de aprender a aprender e saber o que fazer com o que se aprende. Este é o atual problema da divisão digital, pois trata-se de uma capacidade socialmente desigual, que está ligada a origem social, familiar, nível de cultura e educação.

4.Internet e a Nova Economia

Surgi um novo modelo de organização empresarial, no qual as empresas que funcionam com e através da Internet.

O comercio eletrônico é classificado em dois níveis: Business to consumers B2C – venda direta ao consumidor – o que representa 20% das transações eletrônicas da Interne; e Business to business, BSB que representa os 80% restante.

A internet provocou grandes transformações do funcionamento do mercado, o trabalho interno da empresa, a relação com os provedores e a relação com os clientes está se dando através da rede.

O centro de economia mundial são os mercados financeiros globalizados que funcionam mediante conexões entre computadores – tecnicamente não é Internet, não ta baseados em seus protocolos (etc), é rede de computadores que convergem rapidamente para ele. As transações financeiras eletrônicas desenvolvem os mercados financeiros. As ações estão sendo negociadas cada vez mais eletronicamente e não fisicamente, e a conseqüência é um aumento na velocidade e na complexidade do mercado. A Internet está mudando os métodos de valorização econômica.

5. A Sociabilidade na Internet

Interação social ou individual na internet - comunidade virtual.

A Internet não muda as relações existentes anteriormente, ela não pode ser classificada como boa ou má. O que acontece é que ela potencializa as características individuais do usuário. Quem tem tendência a se isolar, provavelmente continuará isolado, porém quem tem uma tendência a ser sociável, provavelmente irá fazer da internet uma ferramenta para manter contato os amigos e fazer novas amizades, e encontrar pessoas com gostos parecidos com o seu ( é o caso de comunidades como o orkut).

6.Movimentos sociais na internet.

O sexto ponto trata da utilização da internet como forma privilegiada de ação e organização

social.

Verifica-se um momento geral de crise das organizações tradicionais estruturadas, como partidos e associações políticas, além da emergência de atores sociais, como defesa de animais, florestas etc. Há uma mudança no quadro dos movimentos sociais, de organizados para movimentos sociais em rede com base em coalizões que se constituem em torno de valores e projetos. A net serve justamente para que cada um possa reivindicar seus direitos, criar associções, e

7 – Relação Direta da Internet com a atividade Política

“Internet mantém uma relação direta com a atividade política organizada”, tanto em relação aos partidos, como nos diferentes tipos de governo. A net é uma ferramenta com um grande potencial para auxiliar na democratização dos governos, através da participação popular. Entretanto, o que acontece normalmente é a sua utilização pelos governos para expor seus dados, como um mero quadro de anúncios, ou de pesquisas, para captar informações e transformar o cidadão em eleitor. Este último acontece não só nos sites governamentais, como também nos sites dos partidos.

O uso político da internet é falho, não por causa da internet, ela é demonstrativa do modelo político da maioria dos países, que se caracteriza pela falta de interesse por parte dos cidadãos. “ É preciso mudar a política para mudar a Internet e, então, o uso político da Internet pode converter-se em uma mudança da política em si mesma”.

8- Privacidade na Internet

Pode-se discutir este ponto com base em 2 elementos: relação Governo x Cidadã e relação Privacidade x Internet. A primeira é caracterizada pela falta de controle por parte dos governos, exceto China , pois eles não podem controlar tecnicamente a Internet. Não da pras ter um controle do que o cidadão acessa ou faz na rede (a China mantém este controle através da violência). Institucionalmente, a legislação da internet é fraca, pois por se tratar de uma rede mundial, cada país possui leis diferenciadas, então se torna complicado por exemplo o governo brasileiro julgar um site de domínio irlandês por exemplo.

A outra questão é sobre a privacidade na rede. Scott McNealy empresário do Vale do Silício afirma que “Não existe privacidade na rede”, ele tem certa razão ao fazer esta afirmação, pois a única forma da intenet se tonar mais segura, seria através da criptografia, e de fato há este debate em curso, sobre capacidade de criptografar, mas a questão barra no momento em que os governos defendem que a criptografia facilitaria a atividade de criminosos. Castells, discorda deste argumento porque acredita que a atividade criminosa é independe da internet.

9. A Internet e os Meios de Comunicação

A Internet modifica radicalmente os meios de comunicação; ela se converteu ao centro, a artéria principal, de distintos meios de comunicação. É o que chamamos de fenômeno multimídia. As noticias agora tem que ser em tempo real, o que leva uma empresa de comunicação a manter uma página na internet. Também é através da internet que agencia de comunicação podem difundir mais facilmente suas notícias.

A outra grande possibilidade aberta pela internet, é a da comunicação horizontal, de cidadão para cidadão. Cada um pode colocar suas idéias na rede, fazer seu protesto, divulgar sua causa (etc), sem intermediários, como é o caso dos Blogs; muitas denuncias já foram feitas através deste novo canal de comunicação. Um ponto importante a ser destacado sobre este assunto é sobre a credibilidade. Não se pode acreditar em tudo que está na rede., a partir desta conclusão é que foi criando o conceito das brand names – etiqueta da veracidade.

10- conclusão: A sociedade em rede

Para Castells, a internet não é apenas uma tecnologia, é um Meio de comunicação que constitui a forma organizativa de nossas sociedades é o coração de um novo paradigma sociotécnico.

Wednesday, November 01, 2006

TICs: Uma das alternativas para superação da exclusão social na educação

Universidade Federal da Bahia

Faculdade de Comunicação

Disciplina: Comunicação e Informática

Aluno: Pablo Barbosa

TICs: Uma das alternativas para superação

da exclusão social na educação

Sem perder a perspectiva de inovação que as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) possibilitam ao ensino, os professores da Cardiff University, Neil Selwyn, Stephen Gorard e Sara Williams problematizam a análise dualista dos muito otimistas e pessimistas quanto ao futuro da educação. No decorrer do artigo Digital Divide or Digital Opportunity? The Role of Technology in Overcoming Social Exclusion in U.S. Education eles abordam o papel da tecnologia na transposição da enorme barreira que é a exclusão social (com base na educação) partindo de experiências que integram tecnologia e ensino nos Estados Unidos.

Com uma opinião moderada sobre o fenômeno, os professores visualizam a tecnologia como um dos instrumentos que possibilitam a superação da exclusão social na educação através de novas práticas de aprendizagem. Um detalhe importante a ser observado é que a instrução tecnológica aplicada de modo não massificado, ou seja, estimulada e aplicada apenas em certos grupos sociais excluídos pode gerar mais exclusão.

Um dos pontos chaves do artigo é a tentativa de compreender o Digital Divide como uma oportunidade digital e exatamente aí as políticas públicas devem estar presentes.

Um exemplo citado pelos autores foi o projeto do governo de Bill Clinton que destinou dois bilhões de dólares em incentivos fiscais durante 10 anos para encorajar as indústrias a doarem hardwares, capacitar agentes comunitários na utilização de softwares e plataformas e investirem em centros de tecnologia nas escolas, bibliotecas e comunidades periféricas. Além disso, foram disponibilizados 100 milhões de dólares para investir especificamente em 1000 centros digitais comunitários em locais urbanos e rurais de baixa renda. Esta é uma como iniciativa complementar a um programa já existente que possui 500 telecentros instalados em localidades de baixo poder aquisitivo.

Dentro da proposta de oportunidade digital alavancada pelo governo Clinton houve a preocupação em destinar crédito às famílias de baixa renda para ampliarem o acesso aos computadores a partir de casa. Também se investiu na construção de redes de alta velocidade, o que foi essencial para a efetiva aplicação de cursos à distância.

O que os autores refletem sobre estas iniciativas é que a informática foi escolhida como elemento primário na construção de uma base que propiciasse, a longo prazo, a superação das desigualdades educacionais entre os norte-americanos. Ou seja, foi uma escolha e não uma tendência natural. Ou melhor, uma aposta.

De acordo com as reflexões dos autores do artigo e os dados colhidos na pesquisa, a proposta de um conteúdo com horário flexível, custos mínimos e uma rede em banda larga possibilitaria uma aprendizagem mais fácil e acessível. No entanto, os resultados do padrão de escolaridade do norte-americano atual não foi o esperado.

A principal justificativa para este diagnóstico é a barreira da participação. Sendo o foco do problema os adultos, devido, especialmente, a inabilidade ao lidar com os recursos tecnológicos e a conseqüente falta de motivação no aprendizado.

Na outra ponta da corrente, os autores indicam que há evidências crescentes que os mais jovens apresentam uma identidade de aprendizado mais estável quando submetidos (desde cedo) a experiências familiares de ensino e a participação regular nas escolas formais. Os adultos, em contrapartida, afirmam os autores, visualizam a aprendizagem virtual de modo diferente da aprendizagem da vida real – o que é um elemento complicador para a disseminação de conhecimento dentro de um processo de transformação.

Realmente, até mesmo os proponentes mais entusiastas da aprendizagem à distância reconhecem as limitações do método por entender que existem várias formas para aprender. O ideal para a educação de adultos, segundo os professores, é utilizar metodologias semi-presenciais, pois reforçam o estímulo ao estudo e dão sentido de união a turma. Os autores ressaltam que em muitas situações de aprendizagem a confiança é essencial no processo educacional e a proposta pautada exclusivamente no campo virtual ignora este elemento ao digitalizar e manter online este fundamento.

Ao realizar um breve estudo demográfico dentro do grupo de adultos nos Estados Unidos descobrimos que os maiores prejudicados são as mulheres, os afro-americanos e os hispânicos. Quando consideramos o critério socioeconômico a linha tênue se solidifica na renda anual de 75 mil dólares. Quem ganha mais do que este valor tem um provável acesso nove vezes superior em comparação ao indivíduo de renda inferior e vinte vezes mais chances de acesso a Internet.

Munidos destes dados podemos analisar as políticas públicas atuais de incentivo a utilização da tecnologia ao ensino como ferramenta transformadora da realidade. O problema se encontra quando descontextualizamos estas iniciativas das práticas sociais e identificamos nesta possibilidade a única alternativa para melhorarmos de emprego ou de condição social. Aí, esta instrumentalização tecnológica da educação tem o efeito contrário e apenas reproduz e reforça as relações hegemônicas de poder e de exclusão social.