Wednesday, November 01, 2006

TICs: Uma das alternativas para superação da exclusão social na educação

Universidade Federal da Bahia

Faculdade de Comunicação

Disciplina: Comunicação e Informática

Aluno: Pablo Barbosa

TICs: Uma das alternativas para superação

da exclusão social na educação

Sem perder a perspectiva de inovação que as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) possibilitam ao ensino, os professores da Cardiff University, Neil Selwyn, Stephen Gorard e Sara Williams problematizam a análise dualista dos muito otimistas e pessimistas quanto ao futuro da educação. No decorrer do artigo Digital Divide or Digital Opportunity? The Role of Technology in Overcoming Social Exclusion in U.S. Education eles abordam o papel da tecnologia na transposição da enorme barreira que é a exclusão social (com base na educação) partindo de experiências que integram tecnologia e ensino nos Estados Unidos.

Com uma opinião moderada sobre o fenômeno, os professores visualizam a tecnologia como um dos instrumentos que possibilitam a superação da exclusão social na educação através de novas práticas de aprendizagem. Um detalhe importante a ser observado é que a instrução tecnológica aplicada de modo não massificado, ou seja, estimulada e aplicada apenas em certos grupos sociais excluídos pode gerar mais exclusão.

Um dos pontos chaves do artigo é a tentativa de compreender o Digital Divide como uma oportunidade digital e exatamente aí as políticas públicas devem estar presentes.

Um exemplo citado pelos autores foi o projeto do governo de Bill Clinton que destinou dois bilhões de dólares em incentivos fiscais durante 10 anos para encorajar as indústrias a doarem hardwares, capacitar agentes comunitários na utilização de softwares e plataformas e investirem em centros de tecnologia nas escolas, bibliotecas e comunidades periféricas. Além disso, foram disponibilizados 100 milhões de dólares para investir especificamente em 1000 centros digitais comunitários em locais urbanos e rurais de baixa renda. Esta é uma como iniciativa complementar a um programa já existente que possui 500 telecentros instalados em localidades de baixo poder aquisitivo.

Dentro da proposta de oportunidade digital alavancada pelo governo Clinton houve a preocupação em destinar crédito às famílias de baixa renda para ampliarem o acesso aos computadores a partir de casa. Também se investiu na construção de redes de alta velocidade, o que foi essencial para a efetiva aplicação de cursos à distância.

O que os autores refletem sobre estas iniciativas é que a informática foi escolhida como elemento primário na construção de uma base que propiciasse, a longo prazo, a superação das desigualdades educacionais entre os norte-americanos. Ou seja, foi uma escolha e não uma tendência natural. Ou melhor, uma aposta.

De acordo com as reflexões dos autores do artigo e os dados colhidos na pesquisa, a proposta de um conteúdo com horário flexível, custos mínimos e uma rede em banda larga possibilitaria uma aprendizagem mais fácil e acessível. No entanto, os resultados do padrão de escolaridade do norte-americano atual não foi o esperado.

A principal justificativa para este diagnóstico é a barreira da participação. Sendo o foco do problema os adultos, devido, especialmente, a inabilidade ao lidar com os recursos tecnológicos e a conseqüente falta de motivação no aprendizado.

Na outra ponta da corrente, os autores indicam que há evidências crescentes que os mais jovens apresentam uma identidade de aprendizado mais estável quando submetidos (desde cedo) a experiências familiares de ensino e a participação regular nas escolas formais. Os adultos, em contrapartida, afirmam os autores, visualizam a aprendizagem virtual de modo diferente da aprendizagem da vida real – o que é um elemento complicador para a disseminação de conhecimento dentro de um processo de transformação.

Realmente, até mesmo os proponentes mais entusiastas da aprendizagem à distância reconhecem as limitações do método por entender que existem várias formas para aprender. O ideal para a educação de adultos, segundo os professores, é utilizar metodologias semi-presenciais, pois reforçam o estímulo ao estudo e dão sentido de união a turma. Os autores ressaltam que em muitas situações de aprendizagem a confiança é essencial no processo educacional e a proposta pautada exclusivamente no campo virtual ignora este elemento ao digitalizar e manter online este fundamento.

Ao realizar um breve estudo demográfico dentro do grupo de adultos nos Estados Unidos descobrimos que os maiores prejudicados são as mulheres, os afro-americanos e os hispânicos. Quando consideramos o critério socioeconômico a linha tênue se solidifica na renda anual de 75 mil dólares. Quem ganha mais do que este valor tem um provável acesso nove vezes superior em comparação ao indivíduo de renda inferior e vinte vezes mais chances de acesso a Internet.

Munidos destes dados podemos analisar as políticas públicas atuais de incentivo a utilização da tecnologia ao ensino como ferramenta transformadora da realidade. O problema se encontra quando descontextualizamos estas iniciativas das práticas sociais e identificamos nesta possibilidade a única alternativa para melhorarmos de emprego ou de condição social. Aí, esta instrumentalização tecnológica da educação tem o efeito contrário e apenas reproduz e reforça as relações hegemônicas de poder e de exclusão social.

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